Não escrevo CVs. Escrevo sobre o que aprendi. Este texto é a versão honesta de 15 anos empreendendo — com os erros que não aparecem em nenhuma apresentação de pitch e as decisões que, olhando para trás, fizeram toda a diferença.
Comecei minha primeira empresa com 24 anos sem saber o que estava fazendo. Isso, descobri depois, é a condição padrão de todo fundador. A diferença entre os que chegam longe e os que não chegam raramente é o conhecimento inicial — é a velocidade com que aprendem a aprender.
Os primeiros anos: construindo no escuro
Minha primeira empresa foi um estúdio de design. Funcionou bem o suficiente para me ensinar que saber fazer algo não é o mesmo que saber vender algo — e que vender não é o mesmo que construir um negócio. São três habilidades distintas, e a maioria dos fundadores domina apenas uma delas quando começa.
Levei três anos para aprender a vender. Dois mais para aprender a delegar. E provavelmente mais cinco para aprender que delegar sem sistemas é só distribuir caos.
"Cada empresa que construí me ensinou uma coisa que eu não sabia que precisava aprender. O currículo não é uma lista de conquistas — é um mapa de lições."
A decisão que mudou tudo
Em 2018, fechei meu estúdio. Não porque estava indo mal — estava indo bem. Fechei porque percebi que estava construindo uma máquina que dependia de mim para funcionar. Não era uma empresa; era um trabalho freelance com overhead.
Essa decisão — encerrar voluntariamente algo que funcionava — foi a mais difícil e a mais importante que já tomei profissionalmente. Ela me forçou a repensar completamente o que eu queria construir e por quê.
O que aprendi em cada fase
- 0–3 anos: A diferença entre fazer e construir
- 3–7 anos: A diferença entre crescer e escalar
- 7–12 anos: A diferença entre liderar e controlar
- 12–15 anos: A diferença entre sucesso e significado
Onde estou agora
A BOZCO é a síntese dessas 15 anos. Uma plataforma de gestão de afiliados e creators para o varejo brasileiro — um problema que só consegui ver porque passei anos operando em todos os lados dele. Founder, designer, operador, cliente.
Não sei se é o projeto definitivo. Provavelmente não é. Mas é o mais honesto que já construí — e por isso, o que mais me interessa trabalhar.